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Como montar um diário de sintomas de TDAH

Dr. Peter Nascimento

CRM-PE 30267 · RQE 17037

Leitura de ~5 min
Como montar um diário de sintomas de TDAH

Por que um diário de sintomas é útil

A memória de quem tem TDAH não é confiável para relatar como foram os últimos dias ou semanas. Na consulta psiquiátrica, a pergunta "como você esteve desde a última vez?" frequentemente é respondida com base no humor do momento, não na realidade do período. Isso prejudica tanto o diagnóstico quanto o ajuste do tratamento.

Um diário de sintomas resolve esse problema ao criar um registro objetivo e consultável. Não precisa ser longo, elaborado ou perfeito — precisa ser feito.

O que registrar

Um bom diário de sintomas de TDAH deve cobrir as seguintes áreas:

1. Atenção e foco

  • Como foi a concentração hoje? (escala de 1 a 5)
  • Conseguiu completar as tarefas planejadas?
  • Houve episódios de hiperfoco? Em quê?

2. Organização e memória

  • Esqueceu compromissos, objetos ou tarefas?
  • Conseguiu seguir a rotina planejada?
  • Houve atrasos significativos?

3. Impulsividade

  • Tomou decisões impulsivas hoje?
  • Houve compras por impulso, respostas emocionais exageradas ou interrupções em conversas?

4. Humor e emoções

  • Nível geral de humor (escala de 1 a 5)
  • Houve irritabilidade, explosões emocionais ou choro?
  • Sentiu ansiedade significativa?

5. Sono

  • Horário que dormiu e acordou
  • Qualidade do sono (escala de 1 a 5)
  • Dificuldade para dormir?

6. Medicação (se aplicável)

  • Tomou a medicação? Horário?
  • Percebeu efeito? Duração?
  • Efeitos colaterais?

7. Contexto

  • Aconteceu algo fora do comum? (estresse, mudança de rotina, menstruação, viagem)
  • Fez exercício físico?
  • Consumiu cafeína, álcool ou outras substâncias?

Modelo de formato diário

Um formato prático que leva menos de 3 minutos por dia:

Data: ___

Foco hoje (1-5): ___ Humor hoje (1-5): ___ Sono (horas/qualidade 1-5): ___ Medicação (sim/não, horário): ___ Exercício (sim/não): ___

O que deu certo hoje:

O que foi difícil hoje:

Algo fora do comum:

Esse formato pode ser adaptado. O importante é que seja simples o suficiente para ser mantido.

Onde registrar

A melhor ferramenta é a que você vai usar de verdade:

  • App de notas do celular: sempre à mão, sem fricção
  • Planilha simples: permite visualizar tendências ao longo do tempo
  • Aplicativos específicos: Daylio, Bearable ou eMoods permitem registro rápido com escalas
  • Papel: um caderno pequeno na mesa de cabeceira funciona para quem prefere escrever à mão
  • Áudio: gravar um áudio de 1 minuto antes de dormir é uma alternativa para quem tem dificuldade com escrita

Dicas para manter o hábito

Manter um diário é especialmente difícil para quem tem TDAH. Algumas estratégias:

  • Conecte a uma âncora: preencha sempre no mesmo momento (por exemplo, ao deitar)
  • Configure um alarme: um lembrete diário no celular no horário escolhido
  • Aceite a imperfeição: dias em branco vão acontecer. Não abandone o diário por causa de falhas
  • Comece ridiculamente pequeno: se o formato completo parece demais, comece registrando apenas foco e humor (duas notas de 1 a 5)
  • Revise semanalmente: uma vez por semana, olhe os registros e observe padrões

Como usar o diário na consulta

Leve o diário para a consulta psiquiátrica. Ele permite que o profissional:

  • Avalie a evolução real dos sintomas ao longo do tempo
  • Identifique padrões (piora em certos dias da semana, relação com sono, efeito da medicação)
  • Ajuste o tratamento com base em dados, não apenas em impressões do momento
  • Identifique comorbidades que possam estar interferindo

Um diário bem mantido transforma a qualidade do acompanhamento.

O diário como ferramenta de autoconhecimento

Além de ajudar no tratamento, o diário oferece algo valioso: padrões visíveis. Depois de algumas semanas, você pode perceber que:

  • Seu foco é melhor de manhã e pior à tarde
  • Exercício no dia anterior melhora a concentração
  • Noites mal dormidas amplificam a irritabilidade
  • A medicação funciona bem por 6 horas e depois o efeito cai

Essas descobertas permitem ajustes práticos na rotina que complementam o tratamento.


Dr. Peter Nascimento é psiquiatra em Recife e incentiva o uso do diário de sintomas como parte do acompanhamento do TDAH em adultos. Atendimento presencial nos Aflitos ou por teleconsulta.

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Faça o teste de rastreio ASRS-18 ou SNAP-IV e leve o resultado para sua consulta com o psiquiatra.

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Dr. Peter Nascimento

Dr. Peter Nascimento

Médico Psiquiatra em Recife | CRM-PE 30267 | RQE 17037

Psiquiatra com formação em Medicina pela UFPE e residência médica em Psiquiatria pelo HC-UFPE. Especialista em Neurociências e Comportamento pela PUC-RS, com formação em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Oferece um cuidado humano, individualizado e baseado nas evidências atuais, integrando ciência e empatia para ajudar você a viver com mais equilíbrio e bem-estar emocional.

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